Retrô 2016: Jewels
Banda: Moss Agate
Álbum: Stockin' Da Boiler
Estilo: Blues Rock
Isso sim é um disco feito com coração, com alma. Dá pra perceber isso logo pela capa, que é um cartum caricaturando os integrantes da banda - provavelmente desenhado por um integrante mesmo, ou pelo amigo de um integrante, que fez esse servicinho com a promessa de ser pago um dia. Dá pra perceber também pelo completo anti-profissionalismo da banda, já você não vai encontrar NADA sobre ela no Google, nada de site oficial ou coisa mais séria, só seu canal do YouTube e seu Facebook. E também pelo álbum não ter uma produção e mixagem mais refinada. Mas apesar de parecer, isso tudo que o profeta está falando é no bom sentido! Pois tudo isso mostra o que o Moss Agate melhor transmite: naturalidade, espontaneidade e a vontade de se divertir tocando um bom Rock clássico. Bom não, ótimo! Todos os artistas são bem soltos e desenvoltos, tocam suas melodias e notas como se fosse a coisa mais natural do mundo, tendo alguns momentos que parecem até improviso. A timbragem das guitarras vibra e ecoa fácil pelos nossos ouvidos, e emitem um sentimento bom de "estou em casa", como se essa sonoridade fosse tudo que precisávamos desde sempre. O vocalista também se destaca por passar entusiasmo, chegando até a se esgoelar quando se empolga, nos proporcionando risos no cérebro e diversão. Enfim, é devido a toda essa qualidade e anti-profissionalismo que este autor considera "Stockin' Da Boiler" tão precioso quanto o lendário disco "Maiden Voyage", um show de naturalidade e paixão pelo Rock.
Faixas:
01. Sometimes You'd Rather Forget
02. Wild Dogs
03. Night Time Again
04. In Over Our Heads
05. Woven From What You Were
06. If You Wanna Play
07. Exited
08. We The People
09. Lines In The Records
10. An Endless War
11. A Tired Old Workin' Man
Banda: Sari Schorr
Álbum: A Force of Nature
Estilo: Blues Rock
Sari Schorr é um dos maiores nomes femininos do Blues atual, e esse disco mostra porquê. O som totalmente calcado no Rock clássico, cheio de groove, notas agudas alongadas e inspiradas, melodias pegajosas, ritmo gostoso e sonoridade engajante são ótimos, são um primor, maaas acabam sendo só um plano de fundo para o brilhantismo de Sari, que é a verdadeira estrela. Desde o início percebemos que as músicas buscam colocá-la como a protagonista invicta, que faz tudo que se pode esperar de uma cantora profissional e bem-treinada, se dando bem nas transições, notas mais longas, gritos, enrolações (aqueles "uôôôôu uáááá iéaaaaaaah humm ieeeeeeeeeeee"), etc. É verdade que também há bastante exibicionismo da parte dela, como se ela estivesse desesperada pra impressionar os jurados do The Voice, mas pelo menos não é uma coisa que soa forçado ou exagerado, mas sim apenas uma cantora que não tem vergonha de assumir que tem um dom e que sabe usá-lo bem. Os melhores momentos do disco certamente são os solos ou os finais das músicas, onde o instrumental e Sari continuam a canção sem parar, indo em frente, se repetindo e se alongando até enjoar, até que a bateria e as notas deem seus últimos suspiros e enfim, terminem. De uma forma geral, "A Force of Nature" é um disco bem fácil de assimilar e de se apegar, e deve agradar até os que nem são tão ligados em Rock. É uma força da natureza arrebatadora, como o próprio título diz.
Faixas:
01. Ain't Got No Money
02. Aunt Hazel
03. Damn The Reason
04. Cat And Mouse
05. Black Betty
06. Work No More
07. Demolition Man
08. Oklahoma
09. Letting Go
10. Kiss Me
11. Stop, In The Name Of Love
12. Ordinary Life
Banda: Purson
Álbum: Desire's Magic Theatre
Estilo: Rock Psicodélico
A partir daqui, as coisas começam a ficar mais estranhas, diferenciadas e lisérgicas. "Desire's Magic Theatre" passa muito bem a sensação de estar no País das Maravilhas, pois é repleto de músicas impossíveis de prever seus rumos e sonoridades. Os músicos tradicionais (baixista, guitarrista e baterista) ancoram nossos ouvidos na sonoridade clássica do Rock, mas executam melodias e andamentos que fogem totalmente do esperado, remetendo às vezes ao experimentalismo que era tão comum nas bandas de Rock Progressivo de outrora. Nesse caso, o Purson é bem mais sucinto, sua viagem não se estende por tanto tempo. Os teclados (teclado Wurlitzer, órgão, mellotron) também contribuem bastante para o efeito alucinógeno, reverberando sons vibrantes. Nossa única guia nessa viagem astral é a voz de Rosalie Cunningham, que cativa desde o primeiro segundo que a ouvimos por ser dona de um timbre marcante e imponente, mas afável ao mesmo tempo. E nem ela escapa da psicodelia, às vezes sua voz é tratada com efeitos que a deixam distorcida e meio tenebrosa em certos momentos. E por tudo que este autor está descrevendo, parece um disco caótico e difícil de ser assimilado, mas é justamente o contrário! Apesar de toda sua imprevisibilidade e doideira, as músicas fluem com muita leveza e graciosidade, sendo até apaixonante. É uma experiência nova e cômoda ao mesmo tempo. E o álbum ainda adquire um status maior de importância por ser o último trabalho da banda em vida, já que ela terminou em 2017. É bem triste para os fãs do Rock psicodélico progressivo e criativo, mas vamos esperar que os músicos ressurjam com outras bandas e projetos no futuro.
Faixas:
01. Desire’s Magic Theatre
02. Electric Landlady
03. Dead Dodo Down
04. Pedigree Chums
05. The Sky Parade
06. The Window Cleaner
07. The Way It Is
08. Mr Howard
09. I Know
10. The Bitter Suite










